Viajar de avião costuma ser um momento de alegria. No entanto, para muitas famílias que convivem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa experiência também pode trazer dúvidas, ansiedade e receios.
NESTE ARTIGO
ToggleNeste artigo, quero compartilhar nossa experiência real. Sou autista, mãe de um menino autista e professora. Por isso, tudo o que você encontrará aqui foi construído a partir da nossa vivência, das pesquisas que fiz e das leis brasileiras que garantem os direitos da pessoa autista em aeroportos.
Antes de continuar, faço uma observação importante: cada pessoa autista é única. O que funcionou para nós talvez não funcione da mesma maneira para outra família. Além disso, não sou médica. Meu objetivo é dividir experiências pessoais e reunir informações confiáveis para que sua viagem seja mais tranquila.
Leia nosso artigo ” Viajar com criança autista: Checklist Completo“
Ao longo das nossas viagens, tivemos nossos direitos respeitados em aeroportos brasileiros e também internacionais. Mesmo assim, aprendemos diversas lições que poderiam ter evitado momentos difíceis, principalmente na nossa primeira viagem de avião.
Se eu tivesse conhecido tudo o que sei hoje, certamente teria planejado vários detalhes de forma diferente.
Não deixe de ler nosso guia sobre Hospedagem para autistas: hotel ou Airbnb para famílias atípicas
É justamente por isso que decidi escrever este guia.
Por que resolvi escrever este artigo?
Quando comecei a pesquisar sobre viagens de avião com uma criança autista, encontrei muitas informações soltas. Alguns sites explicavam a legislação, enquanto outros traziam apenas relatos pessoais.
Entretanto, senti falta de um conteúdo que reunisse tudo em um único lugar: direitos, legislação, dicas práticas e experiências reais.
Foi então que percebi que nossa história poderia ajudar outras famílias.
Afinal, ninguém melhor do que quem já viveu uma situação para contar o que realmente acontece na prática.
Nossa primeira viagem de avião foi muito diferente da segunda
Na nossa primeira experiência, eu ainda não conhecia muitos dos direitos garantidos às pessoas autistas nos aeroportos. Leia nosso artigo sobre 10 Dicas Para Viajar de Avião com Criança Autista
Além disso, cometi um erro que hoje considero um dos maiores da viagem: esqueci de levar um abafador de ruído.
Na época, também não avisei a companhia aérea que viajaria com uma criança autista. Achei que não faria diferença.
Hoje penso diferente.
Depois de pesquisar mais sobre o assunto, descobri que algumas companhias orientam os passageiros a informar antecipadamente qualquer necessidade específica. Talvez isso tivesse tornado aquela viagem mais confortável para o Lucas.
O que mudou na nossa segunda viagem?
Na segunda vez, planejamos praticamente tudo.

Compramos um abafador de ruído.
Também levamos máscara para dormir, travesseiro de pescoço, objetos de conforto e itens que ajudam na regulação sensorial.
Além disso, conversamos com o pediatra antes da viagem e seguimos todas as orientações médicas.
O resultado foi surpreendente.
Mesmo sendo um voo mais longo, o Lucas permaneceu muito mais tranquilo durante praticamente todo o percurso.
Foi nesse momento que percebi como pequenas mudanças podem transformar completamente uma viagem.
Quais são os direitos da pessoa autista em aeroportos?
Muitas famílias ainda desconhecem os direitos da pessoa autista em aeroportos.
Como consequência, acabam enfrentando filas longas, situações estressantes e dificuldades que poderiam ser evitadas simplesmente conhecendo a legislação.
Os direitos existem justamente para garantir que a viagem aconteça com mais segurança, acessibilidade e dignidade.
Além disso, essas garantias não representam privilégios. Elas existem porque pessoas autistas podem apresentar necessidades específicas durante todo o processo de embarque.
O que diz a legislação brasileira?
No Brasil, diferentes leis asseguram proteção às pessoas com Transtorno do Espectro Autista durante viagens aéreas.
Em conjunto, essas normas garantem atendimento prioritário, acessibilidade e assistência especial sempre que necessário.
Lei Federal nº 12.764/2012 (Lei Berenice Piana)
A Lei Berenice Piana reconhece oficialmente a pessoa com Transtorno do Espectro Autista como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.
Na prática, isso significa que pessoas autistas possuem os mesmos direitos relacionados à acessibilidade garantidos às demais pessoas com deficiência.
Fonte oficial: Portal da Legislação – Presidência da República.
Lei Federal nº 14.626/2023
Posteriormente, a Lei nº 14.626/2023 reforçou um direito muito importante.
Ela incluiu expressamente as pessoas com TEA entre os grupos que possuem prioridade de atendimento em serviços públicos e privados.
Consequentemente, aeroportos, companhias aéreas e diversos estabelecimentos devem oferecer atendimento prioritário sempre que houver necessidade.
Fonte oficial: Portal da Legislação – Presidência da República.
Resolução nº 280/2013 da ANAC
Outra norma fundamental é a Resolução nº 280/2013 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Essa resolução estabelece regras para o atendimento dos Passageiros com Necessidade de Assistência Especial (PNAE).
Entre outros pontos, ela regulamenta procedimentos relacionados ao check-in, embarque, desembarque, acessibilidade e assistência operacional durante a viagem.
Fonte oficial: Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Pessoas autistas têm direito ao atendimento prioritário nos aeroportos?
Sim.
Esse direito está garantido pela legislação brasileira e também pelas normas da ANAC.
Apesar disso, muitas famílias ainda deixam de utilizá-lo.
Por que muitas famílias não utilizam esse direito?
Na minha opinião, isso acontece principalmente porque existe muito julgamento.
Infelizmente, ainda ouvimos frases como:
“Mas ele nem parece autista.”
Confesso que essa é uma das frases de que menos gosto.
O autismo nem sempre é visível.
Muitas pessoas autistas possuem deficiências ocultas e, justamente por isso, acabam sendo questionadas por quem desconhece o transtorno.
Minha experiência utilizando a fila prioritária
Em todas as viagens que fizemos, tanto em Guarulhos quanto nos aeroportos de Curitiba, Porto Alegre e Santiago, fomos atendidos na fila prioritária.
Sempre carreguei a CIPTEA e o laudo médico na bolsa.
Na verdade, quase nunca precisei apresentá-los.
Os funcionários foram extremamente respeitosos e, em nenhum momento, questionaram o motivo de estarmos utilizando o atendimento prioritário.
Mesmo agora, com o Lucas mais velho e usando menos o cordão de identificação, apenas uma única pessoa perguntou por que estávamos naquela fila.
Nas demais viagens, recebemos apenas alguns olhares curiosos, mas nunca tivemos nossos direitos negados.
Não tenha receio de exigir um direito garantido por lei
Durante muito tempo, eu mesma evitava pedir prioridade.
Achava que estava incomodando ou que alguém poderia fazer algum comentário.
Hoje penso completamente diferente.
Se uma fila longa, um ambiente cheio ou o excesso de estímulos pode provocar sofrimento para uma pessoa autista, utilizar o atendimento prioritário não é um privilégio.
É simplesmente exercer um direito previsto na legislação.
Por isso, sempre oriento outras famílias a manterem a CIPTEA, o laudo médico e um documento oficial em mãos.
Na maioria das vezes, você nem precisará apresentá-los. Ainda assim, tê-los por perto transmite segurança caso alguém solicite a comprovação.
Pessoas autistas têm direito ao embarque prioritário?
Sim. Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm direito ao embarque prioritário nos aeroportos brasileiros.
Esse direito é garantido pela Lei Federal nº 14.626/2023, que assegura atendimento prioritário às pessoas autistas, e também pela Resolução nº 280/2013 da ANAC, que regulamenta a assistência aos Passageiros com Necessidade de Assistência Especial (PNAE).
Conhecer essas normas é importante porque, infelizmente, nem todos os passageiros sabem que podem solicitar esse atendimento.
Fonte oficial: Portal da Legislação – Presidência da República e Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
O embarque prioritário realmente funciona?
Na nossa experiência, sim.
Sempre utilizamos o embarque prioritário quando viajamos de avião.
Tanto em Guarulhos quanto nos aeroportos de Curitiba, Porto Alegre e Santiago, fomos chamados junto com os demais passageiros que possuíam prioridade.
Os funcionários sempre foram educados e compreenderam rapidamente a situação.
Em nenhum momento tivemos o direito negado.
O desembarque ainda pode gerar dificuldades
Existe um detalhe que pouca gente comenta.
Embora o embarque prioritário tenha funcionado muito bem em todas as nossas viagens, o desembarque nem sempre aconteceu da mesma forma.
Na prática, muitas vezes acabamos esperando todos os passageiros saírem da aeronave.
Foi exatamente isso que aconteceu na nossa primeira viagem.
O que aconteceu na nossa primeira viagem?
Naquele voo, o Lucas já estava bastante cansado.
O barulho da aeronave havia provocado desconforto sensorial, e ele começou a demonstrar sinais claros de desregulação.
Mesmo assim, permanecemos aguardando vários minutos até conseguirmos desembarcar.
Hoje percebo que poderia ter conversado com a equipe de bordo e explicado melhor a situação.
Talvez o atendimento tivesse sido diferente.
Essa experiência me ensinou que vale a pena informar a tripulação sempre que perceber que a criança está entrando em sobrecarga sensorial.
O que fazer se o embarque prioritário for negado?
Embora isso seja raro, pode acontecer.
Nesse caso, mantenha a calma e converse educadamente com o funcionário responsável.
Explique que a pessoa autista possui direito ao atendimento prioritário previsto na legislação brasileira.
Se necessário, apresente a CIPTEA ou outro documento que comprove a condição.
Caso o problema não seja resolvido, solicite falar com um supervisor e registre a ocorrência junto à companhia aérea.
Conhecer seus direitos é a melhor forma de garantir que eles sejam respeitados.
Como solicitar assistência especial à companhia aérea?
Muitas famílias acreditam que basta chegar ao aeroporto para receber assistência.
Entretanto, alguns serviços precisam ser solicitados antes da viagem.
Por isso, sempre recomendo verificar as orientações da companhia aérea logo após a compra da passagem.
Essa organização evita imprevistos e permite que a equipe esteja preparada para oferecer o suporte necessário.
Quando a assistência deve ser solicitada?
A ANAC estabelece prazos para determinados tipos de atendimento especial.
Cumprir esses prazos ajuda a companhia aérea a organizar toda a assistência antes do embarque.
Solicitações com até 72 horas de antecedência
Quando houver necessidade de acompanhante com desconto previsto na legislação ou de cuidados médicos específicos durante o voo, a solicitação deve ser feita com antecedência.
Esse prazo também é utilizado para situações que exigem avaliação médica da companhia aérea.
Solicitações com até 48 horas de antecedência
Outros tipos de assistência podem ser solicitados até 48 horas antes do voo.
Entre eles estão:
- auxílio para locomoção;
- utilização de cadeira de rodas fornecida pela empresa;
- apoio durante o embarque;
- necessidades relacionadas à acessibilidade.
Mesmo quando a companhia aceita pedidos feitos no próprio aeroporto, solicitar antecipadamente costuma facilitar bastante o atendimento.
Fonte oficial: Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
O que são os formulários MEDIF e FREMEC?
Durante minhas pesquisas, descobri dois documentos que muitas famílias nunca ouviram falar.
Eles podem fazer bastante diferença para quem viaja com frequência.
O que é o MEDIF?
O MEDIF (Medical Information Form) é um formulário preenchido pelo médico responsável pelo passageiro.
Ele informa à companhia aérea quais adaptações ou cuidados poderão ser necessários durante aquela viagem específica.
Em algumas situações, esse documento também é utilizado para solicitar benefícios previstos nas normas da ANAC.
O que é o FREMEC?
O FREMEC (Frequent Traveller Medical Card) funciona como um cadastro para passageiros que viajam frequentemente e possuem uma condição de saúde estável.
Depois de aprovado pela companhia aérea, ele reduz a necessidade de apresentar novos laudos em cada viagem.
Por isso, pode facilitar bastante a vida de quem costuma viajar regularmente.
Como solicitar assistência nas principais companhias aéreas?
Embora todas sigam as regras da ANAC, cada empresa possui seu próprio procedimento.
Por esse motivo, sempre consulte os canais oficiais antes da viagem.
Assistência especial na GOL
A GOL permite informar algumas necessidades especiais durante o processo de compra da passagem.
Já situações que envolvem acompanhante com desconto ou avaliação médica costumam exigir contato com a Central de Atendimento.
Os formulários médicos também devem ser enviados conforme as orientações da companhia.
Assistência especial na LATAM
Na LATAM, parte das solicitações pode ser feita diretamente pelo gerenciamento da reserva.
Quando houver necessidade de avaliação médica, a empresa orienta abrir um atendimento específico e anexar a documentação solicitada.
Assistência especial na Azul
Na Azul, alguns serviços também dependem de análise da documentação médica.
Depois da aprovação, o atendimento especial fica registrado na reserva para facilitar todo o processo de embarque.
O que fazer ao chegar ao aeroporto?
Mesmo depois de solicitar assistência antecipadamente, ainda existem alguns cuidados importantes.
Eles ajudam a evitar imprevistos no dia da viagem.
Confirme a assistência no check-in
Sempre que possível, passe pelo balcão presencial.
Assim, você poderá confirmar que todas as informações constam corretamente na reserva.
Tenha os documentos sempre à mão
Mesmo quando ninguém solicita comprovação, gosto de manter tudo organizado.
Normalmente levo:
- CIPTEA;
- documento oficial com foto;
- laudo médico;
- passagens;
- documentos pessoais.
Isso transmite tranquilidade caso algum funcionário faça perguntas.
Informe novamente a equipe de embarque
Mesmo que a companhia já saiba da condição do passageiro, costumo avisar novamente os funcionários que estão organizando o embarque.
Essa conversa leva apenas alguns minutos e pode evitar situações de estresse durante a entrada na aeronave.
Vale a pena avisar que a criança é autista?
Na minha opinião, sim.
Na primeira viagem, não informei ninguém.
Achei que conseguiríamos administrar tudo sozinhos.
Hoje faria diferente.
Sempre que possível, aviso a companhia aérea e também converso rapidamente com a equipe que está no portão de embarque.
Na maioria das vezes, percebo que os funcionários demonstram muito mais compreensão quando conhecem a situação.
Além disso, essa comunicação facilita o atendimento caso aconteça algum imprevisto durante o voo.
Quais documentos podem ser solicitados para garantir os direitos da pessoa autista em aeroportos?
Uma dúvida muito comum entre as famílias é quais documentos realmente precisam ser apresentados durante uma viagem de avião.
Na minha experiência, quase nunca precisei mostrar nenhum documento. Mesmo assim, sempre viajo preparada.
Prefiro carregar tudo organizado na bolsa, porque isso transmite segurança caso algum funcionário solicite uma comprovação.
Além disso, viajar tranquila já reduz bastante a ansiedade antes mesmo de chegar ao aeroporto.
A CIPTEA é o documento mais importante
Sempre que viajamos, a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) está comigo.
Na maioria das vezes, ela é suficiente para comprovar o direito ao atendimento prioritário.
Como o documento foi criado justamente para facilitar a identificação da pessoa autista, ele ajuda a evitar explicações longas em momentos que já costumam ser estressantes.
A CIPTEA foi instituída pela Lei Federal nº 13.977/2020 (Lei Romeo Mion) e possui validade em todo o território nacional.
Fonte oficial: Portal da Legislação – Presidência da República.
Vale a pena levar o laudo médico?
Na minha opinião, sim.
Embora a CIPTEA normalmente resolva a maioria das situações, gosto de manter uma cópia do laudo médico na mochila.
Nunca precisei utilizá-lo para entrar na fila prioritária.
Mesmo assim, ele pode ser útil caso exista alguma dúvida ou quando a companhia aérea solicitar documentação para serviços específicos.
Prefiro carregar um documento a mais do que precisar dele e não tê-lo disponível.
O RG ou passaporte continuam sendo obrigatórios
Existe um detalhe importante que muitas famílias confundem.
A CIPTEA não substitui um documento oficial de identificação.
Para embarcar, a companhia aérea continuará exigindo um documento com foto, como RG, Carteira de Identidade Nacional (CIN), CNH, passaporte ou outro documento aceito para a viagem.
Por isso, sempre confira se todos os documentos estão separados antes de sair de casa.
Algumas famílias também incluem a informação no RG
Hoje, alguns estados permitem incluir a condição de pessoa com deficiência na Carteira de Identidade Nacional.
Essa identificação pode facilitar o atendimento em diferentes situações.
Ainda assim, isso não elimina a importância de manter a CIPTEA atualizada.
O Cordão de Girassol substitui a CIPTEA?
Essa é uma dúvida que aparece com frequência.
A resposta é não.
O Cordão de Girassol é um símbolo internacional utilizado para identificar pessoas com deficiências ocultas, incluindo muitas pessoas autistas.
Ele facilita a identificação visual pelos funcionários, mas não substitui um documento oficial quando houver necessidade de comprovação.
O Cordão de Girassol é obrigatório?
Não.
O uso é totalmente opcional.
Conheço famílias que gostam porque facilita bastante o atendimento.
Outras preferem não utilizá-lo.
Aqui em casa aconteceu exatamente isso.
Quando o Lucas era menor, o cordão ajudava bastante.
Hoje, que ele está mais velho, quase não quer mais usar.
E eu respeito completamente essa decisão.
Cada pessoa autista deve escolher aquilo que a faz sentir mais confortável.
A CIPTEA é aceita em todos os aeroportos brasileiros?
Sim.
A legislação determina que a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista tenha validade em todo o território nacional.
Isso significa que aeroportos e companhias aéreas devem reconhecer esse documento independentemente do estado onde ele foi emitido.
Essa segurança jurídica trouxe muito mais tranquilidade para as famílias.
O que a CIPTEA garante durante a viagem?
Na prática, ela facilita o acesso aos direitos previstos na legislação.
Entre eles estão:
- atendimento prioritário;
- filas preferenciais;
- check-in prioritário;
- acesso prioritário ao embarque;
- prioridade durante o desembarque, quando necessário.
Esses direitos existem para reduzir o impacto que filas longas, ambientes movimentados e excesso de estímulos podem causar às pessoas autistas.
A CIPTEA substitui o laudo médico em todas as situações?
Não.
Essa diferença é muito importante.
Quando falamos apenas de prioridade no aeroporto, normalmente a CIPTEA é suficiente.
Entretanto, alguns benefícios exigem documentação médica específica.
É exatamente o caso do desconto para acompanhante.
A pessoa autista tem direito ao desconto para acompanhante?
Sim.
Porém, esse é um dos assuntos que mais gera dúvidas.
Quando comecei a pesquisar sobre esse benefício, imaginei que bastaria apresentar a CIPTEA.
Descobri que o processo é um pouco mais burocrático.
Quando o desconto pode ser concedido?
O desconto normalmente é destinado aos casos em que existe necessidade comprovada de um acompanhante durante toda a viagem.
Ou seja, a companhia aérea precisa verificar que o passageiro realmente depende desse apoio para realizar o voo com segurança.
Essa análise segue critérios definidos pela ANAC.
A CIPTEA, sozinha, garante o desconto?
Não.
Embora ela seja aceita para comprovar a condição de pessoa autista, normalmente as companhias solicitam outros documentos.
Entre eles estão:
- laudo médico atualizado;
- formulário MEDIF;
- ou cadastro no FREMEC, quando disponível.
Por isso, sempre consulte a companhia aérea antes de comprar as passagens.
Assim, você evita surpresas e consegue providenciar toda a documentação dentro do prazo.
Confesso que achei esse processo burocrático
Essa é apenas minha opinião como mãe.
Sempre achei que o procedimento poderia ser mais simples para as famílias.
Afinal, quem convive diariamente com o autismo já enfrenta diversos desafios.
Mesmo assim, acredito que vale a pena pesquisar com antecedência.
Dependendo da necessidade do passageiro, o desconto pode representar uma economia importante.
Minha dica para evitar problemas no aeroporto
Depois de tudo o que aprendemos nas nossas viagens, hoje sigo uma regra simples.
Nunca viajo levando apenas um documento.
Prefiro organizar uma pasta com:
- passagens;
- documentos pessoais;
- CIPTEA;
- laudo médico;
- prescrições médicas, quando necessário.
Pode parecer excesso de cuidado.
No entanto, essa organização me deixa muito mais tranquila durante toda a viagem.
E, sinceramente, quando viajamos com uma criança autista, qualquer preocupação a menos já faz bastante diferença.
O que veremos na próxima parte?
Agora que você já conhece os principais documentos e entende como funciona o desconto para acompanhante, vamos falar sobre um dos momentos que mais preocupam muitas famílias: a inspeção de segurança, o transporte de medicamentos, alimentos especiais e como tornar essa etapa muito menos estressante para uma criança autista.
Como funciona a inspeção de segurança para passageiros autistas nos aeroportos?
Para muitas famílias, o momento da inspeção de segurança é um dos mais preocupantes de toda a viagem.
O ambiente costuma ser barulhento, cheio de pessoas, avisos sonoros e mudanças rápidas de rotina. Para uma criança autista, tudo isso pode representar uma sobrecarga sensorial importante.
A boa notícia é que existem normas para tornar essa etapa mais acolhedora e segura.
Além disso, conhecer esses direitos antes da viagem ajuda a reduzir a ansiedade e permite que você saiba exatamente como agir caso seja necessário.
A pessoa autista tem direito à fila prioritária no raio-X?
Sim.
Assim como acontece no check-in e no embarque, passageiros com Transtorno do Espectro Autista têm direito ao atendimento prioritário durante a inspeção de segurança.
Na prática, isso reduz o tempo de espera em um ambiente que costuma reunir muitos estímulos visuais e sonoros.
Essa prioridade existe justamente para diminuir o risco de crises provocadas pela longa permanência em filas.
Fonte oficial: Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
O acompanhante pode passar primeiro pela inspeção?
Sim.
Segundo as orientações operacionais adotadas nos aeroportos, normalmente o acompanhante realiza a inspeção primeiro.
Depois, ele permanece do outro lado do detector de metais aguardando a criança ou o adulto autista.
Essa organização facilita bastante o processo, pois a pessoa autista consegue visualizar alguém conhecido logo após atravessar o portal de segurança.
Embora pareça um detalhe simples, essa estratégia transmite segurança e reduz a ansiedade de muitas crianças.
Como costuma ser a abordagem dos agentes de segurança?
Os agentes são orientados a realizar um atendimento respeitoso e adequado às necessidades do passageiro.
Sempre que possível, as instruções devem ser dadas com calma e de maneira clara.
Além disso, quando a equipe sabe antecipadamente que está atendendo uma pessoa autista, costuma adaptar a comunicação para tornar todo o procedimento menos estressante.
Por isso, não tenha receio de informar que seu filho ou familiar é autista antes do início da inspeção.
Objetos de conforto podem passar pelo raio-X?
Sim.
Abafadores de ruído, brinquedos sensoriais, mordedores, tablets, fones de ouvido e outros objetos utilizados para regulação sensorial também passam pela inspeção.
Normalmente eles são devolvidos logo após o equipamento de raio-X.
Mesmo assim, gosto de explicar ao Lucas o que vai acontecer antes de colocar os objetos na esteira.
Essa pequena conversa evita insegurança e ajuda a diminuir a ansiedade enquanto aguardamos a devolução.
Existe o direito à revista em local reservado?
Sim.
Caso seja necessária uma busca pessoal, a pessoa autista pode solicitar que ela seja realizada em um ambiente reservado, preservando sua privacidade.
Sempre que possível, o acompanhante poderá permanecer junto durante esse procedimento.
Essa medida garante mais conforto e reduz situações constrangedoras, principalmente quando a pessoa apresenta dificuldade para compreender o que está acontecendo.
Fonte oficial: Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Minha dica para o momento da inspeção
Hoje faço algo que aprendi com a experiência.
Antes mesmo de colocar as malas na esteira, converso rapidamente com o funcionário responsável.
Explico que o Lucas é autista e mostro a CIPTEA.
Não faço isso porque alguém exigiu.
Faço porque percebo que a equipe consegue adaptar melhor o atendimento quando conhece a situação desde o início.
Na nossa experiência, essa simples conversa sempre tornou o processo mais tranquilo.
É permitido viajar com medicamentos no avião?
Sim.
Pessoas autistas podem transportar medicamentos na bagagem de mão.
Aliás, sempre recomendo que remédios de uso contínuo nunca sejam despachados.
Se a mala de porão atrasar ou for extraviada, você continuará tendo acesso à medicação durante toda a viagem.
Essa é uma segurança que faz muita diferença.
Medicamentos líquidos podem ser levados?
Sim.
Nos voos internacionais existe, em regra, um limite para líquidos transportados na cabine.
Entretanto, medicamentos de uso essencial possuem tratamento diferenciado quando há necessidade comprovada.
Por isso, mantenha os remédios junto com a receita médica, principalmente quando viajar para outro país.
Fonte oficial: ANAC e ANVISA.
Vale a pena levar a receita médica?
Na minha opinião, sim.
Mesmo quando ninguém solicita, prefiro carregar a receita junto com os medicamentos.
Além de facilitar qualquer eventual fiscalização, isso transmite muito mais tranquilidade durante a viagem.
Se o voo for internacional, converse com o médico sobre a possibilidade de emitir uma versão em inglês.
Essa providência pode evitar dificuldades na imigração ou em fiscalizações sanitárias.
Nunca despache medicamentos importantes
Esse é um conselho que faço questão de compartilhar.
Sempre deixe na bagagem de mão:
- medicamentos de uso contínuo;
- remédios de emergência;
- receitas médicas;
- objetos utilizados na regulação sensorial.
Pode parecer um cuidado exagerado.
No entanto, basta imaginar a mala despachada atrasar para entender a importância dessa organização.
Crianças autistas podem levar alimentos especiais no avião?
Sim.
Essa é outra dúvida muito comum entre as famílias.
Em geral, alimentos destinados a dietas especiais ou necessidades médicas podem ser transportados na cabine.
Isso inclui, por exemplo:
- alimentos para restrições alimentares;
- fórmulas especiais;
- alimentos infantis;
- leite materno;
- alimentos utilizados por orientação médica.
As regras podem variar conforme o destino e a companhia aérea.
Por isso, sempre consulte as orientações oficiais antes da viagem.
Alimentos líquidos possuem regras específicas?
Sim.
Assim como acontece com os medicamentos, alimentos líquidos destinados a necessidades especiais recebem tratamento diferenciado.
Entretanto, a equipe de segurança poderá solicitar informações sobre o conteúdo transportado.
Por esse motivo, mantenha tudo bem identificado e, sempre que possível, acompanhado da documentação médica.
Como organizo a alimentação durante nossas viagens?
Depois da primeira experiência, passei a prestar muito mais atenção nesse detalhe.
Hoje procuro oferecer refeições leves antes do voo.
Também levo alguns alimentos que o Lucas já conhece e aceita bem.
Essa organização reduz bastante o risco de desconforto durante a viagem.
Cada criança possui suas preferências alimentares.
Por isso, acredito que vale mais a pena respeitar aquilo que ela já está acostumada a comer do que insistir em experimentar novos alimentos justamente no dia da viagem.
Pequenos cuidados fazem uma grande diferença
Ao longo das nossas viagens, percebi que o sucesso não depende apenas da legislação.
Planejamento também faz toda a diferença.
Levar os medicamentos corretos, organizar a alimentação, conversar com a equipe do aeroporto e respeitar o tempo da criança transformaram completamente nossa segunda experiência de voo.
Hoje, continuo aprendendo a cada nova viagem.
Entretanto, uma certeza permanece: quanto mais preparada a família estiver, maiores serão as chances de viver uma experiência tranquila e inesquecível.
O que você encontrará na próxima parte?
Vamos falar sobre crises sensoriais durante o voo, como preparar uma criança autista para viajar de avião e compartilhar, em detalhes, nossa experiência na primeira e na segunda viagem.
O que fazer se uma criança autista tiver uma crise sensorial durante o voo?
Mesmo com todo o planejamento, imprevistos podem acontecer.
Isso não significa que a viagem deu errado.
Na verdade, mudanças de rotina, excesso de estímulos, barulho, iluminação intensa e longos períodos de espera podem provocar desregulação em algumas pessoas autistas.
Por isso, o mais importante é manter a calma.
Quanto mais tranquilo o adulto estiver, maiores serão as chances de transmitir segurança para a criança.
Nem toda crise é igual
Uma coisa que aprendi sendo autista e mãe de uma criança autista é que cada pessoa reage de uma forma diferente.
Algumas crianças choram.
Outras ficam agitadas.
Há quem queira tirar o cinto, levantar diversas vezes ou simplesmente permaneça em silêncio.
Também existem crianças que fecham os olhos, suam bastante ou demonstram muito desconforto sem conseguir explicar o que estão sentindo.(meu filho Lucas)
Por esse motivo, evite comparações.
Cada autista possui gatilhos, necessidades e formas próprias de se regular.
O que costuma ajudar durante uma crise?
Ao longo das nossas viagens, percebi que pequenas atitudes fazem bastante diferença.
Sempre que possível, procure:
- falar com voz calma;
- explicar o que está acontecendo;
- evitar muitas pessoas falando ao mesmo tempo;
- oferecer um objeto de conforto;
- colocar uma música que a criança goste;
- utilizar o abafador de ruído;
- oferecer um brinquedo sensorial;
- permitir alguns minutos para que ela se reorganize.
Nem sempre tudo funciona.
Entretanto, conhecer aquilo que costuma acalmar seu filho ajuda muito nesses momentos.
Não tenha vergonha de pedir ajuda
No começo, eu tinha vergonha.
Achava que conseguiria resolver tudo sozinha.
Hoje penso completamente diferente.
Sempre que perceber que a criança está entrando em desregulação, converse com os comissários de bordo.
Na nossa experiência, os profissionais sempre foram muito educados.
Mesmo quando não existe uma solução imediata, informar a situação ajuda a equipe a compreender o comportamento da criança e prestar apoio, caso seja necessário.
Como preparar uma criança autista para viajar de avião?
Na minha opinião, a preparação começa muito antes do dia do embarque. Leia nosso artigo 10 Dicas de Como Viajar Com Criança Autista
Quanto mais previsível a viagem se tornar, menor tende a ser a ansiedade.
Entretanto, existe um detalhe importante.
Nem toda criança autista gosta de receber informações com muita antecedência.
Antecipação precisa respeitar cada criança
No caso do Lucas, aprendi que falar da viagem com muita antecedência aumentava a ansiedade.
Ele passava dias pensando apenas naquilo.
Por isso, encontrei um equilíbrio.
Conversávamos sobre a viagem apenas quando faltava pouco tempo.
Para nós, funcionou muito melhor.
Talvez, para outra criança, seja completamente diferente.
Por isso, observe como seu filho costuma reagir.
Mostrar vídeos do aeroporto pode ajudar
Antes da viagem, gosto de mostrar vídeos do aeroporto, do embarque e do interior do avião.
Assim, o ambiente deixa de ser totalmente desconhecido.
Quando a criança sabe o que vai encontrar, a sensação de segurança costuma aumentar.
Hoje existem diversos vídeos mostrando todas as etapas da viagem aérea, desde o check-in até a chegada ao destino.
Histórias sociais também podem facilitar
Outro recurso muito utilizado são as histórias sociais.
Elas apresentam cada etapa da viagem utilizando frases simples e imagens.
Isso ajuda a criança a compreender a sequência dos acontecimentos.
Você pode explicar, por exemplo:
- chegada ao aeroporto;
- entrega das malas;
- raio-X;
- espera no portão;
- embarque;
- decolagem;
- voo;
- desembarque.
Quanto mais previsível for a sequência, melhor.
Explique os sons do aeroporto
Uma coisa que muitas vezes esquecemos é o barulho.
Os aeroportos possuem avisos sonoros constantes.
Além disso, existe o ruído das malas, das pessoas conversando, dos carrinhos de bagagem e, principalmente, dos motores da aeronave.
Se possível, explique isso antes da viagem.
Essa preparação evita sustos.
Escolha roupas confortáveis
Pode parecer um detalhe pequeno.
Entretanto, roupas apertadas, etiquetas ou tecidos desconfortáveis podem aumentar bastante o estresse.
Sempre priorizo roupas leves, confortáveis e que o Lucas já esteja acostumado a usar.
Viajar não costuma ser um bom momento para experimentar uma roupa nova.
Nunca mais esquecemos o abafador
Se existe um item que passou a fazer parte da nossa mala de viagem, é o abafador de ruído.
Na primeira viagem, esqueci completamente.
Hoje tenho certeza de que isso contribuiu para a desregulação do Lucas.
Na segunda experiência, compramos um abafador adequado.
A diferença foi enorme.
Para nós, ele fez muito mais diferença do que eu imaginava.
Abafador de ruído infantil que utilizamos em viagens
Alguns objetos de conforto também ajudam
Além do abafador, hoje sempre levamos alguns itens que fazem parte da rotina do Lucas.
Entre eles:
- travesseiro de pescoço;
- máscara para dormir;
- celular com vídeos já baixados;
- brinquedo sensorial;
- garrafa de água;
- um pequeno lanche.
Esses objetos ajudam a criar uma sensação de familiaridade mesmo dentro de um ambiente completamente diferente.
Nossa primeira viagem de avião com o Lucas
Confesso que embarquei muito mais ansiosa do que imaginava.
Era nossa primeira experiência viajando de avião com o Lucas.
Eu não sabia exatamente como ele reagiria.
Apesar de ter planejado várias coisas, hoje percebo que ainda faltava conhecimento.
O aeroporto já foi um desafio
A espera foi maior do que imaginávamos.
O aeroporto estava cheio.
Havia muitas pessoas falando ao mesmo tempo.
Avisos sonoros eram anunciados constantemente.
Naquele momento, eu ainda não entendia o quanto aquele ambiente poderia provocar sobrecarga sensorial.
Hoje faria várias coisas de maneira diferente.
O barulho da aeronave desregulou o Lucas
Quando entramos no avião, percebi que ele começou a ficar bastante desconfortável.
O som dos motores parecia incomodá-lo muito.
Além disso, eu havia esquecido justamente o abafador.
Foi um erro que nunca mais repeti.
Durante praticamente todo o voo, permaneci segurando sua mão.
Ele estava suando bastante, manteve os olhos fechados em vários momentos e demonstrava que queria apenas que aquela situação terminasse logo.
Como mãe, foi uma viagem bastante difícil.
O desembarque demorou mais do que esperávamos
Quando o avião pousou, imaginei que o momento mais difícil já havia passado.
Entretanto, ainda precisávamos esperar para desembarcar.
Esse tempo de espera aumentou ainda mais a irritação do Lucas.
Quando finalmente chegamos à esteira para retirar as malas despachadas, ele já estava extremamente cansado, ansioso e bastante irritado.
Foi ali que compreendi como pequenos detalhes fazem diferença para uma pessoa autista.
A segunda viagem foi completamente diferente
Alguns meses depois, embarcamos novamente.
Dessa vez, aprendemos com todos os erros da primeira experiência.
Foi praticamente outra viagem.
Planejamos cada detalhe
Compramos o abafador.
Levamos máscara para dormir.
Também utilizamos travesseiro de pescoço.
Conversamos com o pediatra antes da viagem.
Além disso, organizamos melhor os horários das refeições e levamos objetos que ajudavam na regulação sensorial.
O resultado superou nossas expectativas
Mesmo sendo um voo mais longo, o Lucas permaneceu muito mais tranquilo.
O abafador fez uma diferença enorme.
Ele praticamente não quis retirá-lo durante a viagem.
A espera também foi muito mais tranquila.
Andamos um pouco pelo aeroporto antes do embarque.
O celular ajudou nos momentos de espera.
Além disso, oferecer uma alimentação mais leve também fez diferença.
O maior aprendizado que levamos
Hoje percebo que viajar com uma criança autista não significa evitar viagens.
Significa viajar com planejamento.
Cada experiência nos ensinou algo novo.
Foi justamente por isso que decidi compartilhar tudo neste artigo.
Se uma única dica conseguir tornar a viagem de outra família mais tranquila, já terá valido a pena escrever cada uma destas linhas.
Viajar de avião com uma criança autista é possível e pode ser uma experiência incrível
Se você chegou até aqui, provavelmente está planejando sua primeira viagem de avião com uma criança autista ou deseja conhecer melhor os direitos da pessoa autista em aeroportos.
Quero terminar este artigo dizendo uma coisa que eu mesma gostaria de ter ouvido antes da nossa primeira viagem.
Vai dar certo.
Talvez nem tudo aconteça exatamente como você imaginou. Imprevistos podem surgir, e isso faz parte de qualquer viagem. Ainda assim, com planejamento, informação e respeito ao tempo da criança, tudo se torna muito mais leve.
Nossa primeira experiência foi desafiadora.
Cometemos erros.
Esquecemos o abafador de ruído.
Não avisamos a companhia aérea sobre as necessidades do Lucas.
Também não conhecíamos todos os direitos garantidos por lei.
Entretanto, foi justamente essa experiência que nos ensinou como pequenas mudanças podem transformar completamente uma viagem.
Hoje viajamos muito mais preparados.
E o resultado foi completamente diferente.
Por isso, espero que este artigo ajude outras famílias a embarcarem com mais segurança, tranquilidade e confiança.
Meu maior conselho para quem vai viajar com uma criança autista
Se eu pudesse resumir tudo o que aprendemos em apenas um conselho, seria este:
Planeje menos a viagem perfeita e prepare mais a criança para viver essa experiência.
Cada criança autista possui características únicas.
Enquanto algumas adoram voar, outras precisam de mais tempo para se adaptar ao ambiente.
Por esse motivo, não compare seu filho com outras crianças.
Observe seus sinais, respeite seus limites e adapte a viagem às necessidades da sua família.
Afinal, ninguém conhece seu filho melhor do que você.
Checklist para viajar de avião com uma criança autista
Antes de sair de casa, gosto de conferir uma última vez se está tudo organizado.
Essa lista simples evita esquecimentos e deixa a viagem muito mais tranquila.
✔️ Documentos pessoais.
✔️ CIPTEA.
✔️ Laudo médico.
✔️ Passagens.
✔️ Receita médica (quando necessária).
✔️ Medicamentos.
✔️ Abafador de ruído.
✔️ Travesseiro de pescoço.
✔️ Máscara para dormir.
✔️ Celular ou tablet carregado.
✔️ Brinquedo sensorial.
✔️ Lanches que a criança já aceita bem.
✔️ Garrafa de água.
✔️ Roupas confortáveis.
Pode parecer uma lista extensa.
No entanto, muitos desses itens fazem parte da nossa rotina e ajudam bastante durante toda a viagem.
Perguntas frequentes sobre os direitos da pessoa autista em aeroportos (FAQ)
Pessoas autistas têm direito à fila prioritária no aeroporto?
Sim. Pessoas com Transtorno do Espectro Autista possuem direito ao atendimento prioritário em aeroportos brasileiros, conforme a Lei Federal nº 14.626/2023 e as normas de acessibilidade da ANAC.
A pessoa autista tem direito ao embarque prioritário?
Sim.
O embarque prioritário faz parte das medidas de assistência previstas para passageiros com necessidade de atendimento especial.
A pessoa autista também tem prioridade no desembarque?
Sim.
Quando houver necessidade, o desembarque prioritário também pode ser solicitado.
Caso a equipe não organize esse procedimento automaticamente, converse com os comissários de bordo antes da aterrissagem.
É obrigatório apresentar a CIPTEA?
Não.
Entretanto, ela facilita bastante a comprovação do direito ao atendimento prioritário.
Sempre recomendo levá-la durante a viagem.
O Cordão de Girassol substitui a CIPTEA?
Não.
O cordão ajuda na identificação visual de deficiências ocultas.
Porém, ele não substitui documentos oficiais quando houver necessidade de comprovação.
Crianças autistas podem levar medicamentos na bagagem de mão?
Sim.
Inclusive, essa costuma ser a opção mais segura.
Sempre mantenha medicamentos de uso contínuo junto com você durante todo o voo.
Posso levar alimentos especiais para meu filho autista?
Sim.
Quando houver necessidade alimentar específica, medicamentos ou dietas especiais, as normas permitem esse transporte, respeitando os procedimentos de segurança.
O desconto para acompanhante é automático?
Não.
Esse benefício depende da análise da companhia aérea e da documentação exigida pela legislação e pela regulamentação da ANAC.
Fontes oficiais consultadas
As informações legais apresentadas neste artigo foram baseadas em documentos oficiais do Governo Federal e da Agência Nacional de Aviação Civil.
- Lei Federal nº 12.764/2012 (Lei Berenice Piana).
- Lei Federal nº 13.977/2020 (Lei Romeo Mion).
- Lei Federal nº 14.624/2023 (Cordão de Girassol).
- Lei Federal nº 14.626/2023.
- Resolução ANAC nº 280/2013.
- Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
- Portal da Legislação da Presidência da República.
Sempre consulte os canais oficiais antes da sua viagem, pois procedimentos operacionais podem ser atualizados pelas companhias aéreas e pelos órgãos responsáveis.
Continue planejando sua viagem
Se este guia ajudou você, aproveite para conferir outros conteúdos aqui no blog. Compartilho roteiros, dicas práticas, direitos das pessoas autistas durante viagens e tudo o que aprendemos viajando em família.
Você também encontrará artigos sobre:
- Como viajar de avião pela primeira vez com uma criança autista..
- Checklist completo para viagens nacionais e internacionais.
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Quanto mais pessoas conhecerem seus direitos, mais acessíveis e acolhedoras serão as viagens para todos.
E, se você já passou por alguma experiência em aeroportos ou viagens de avião com uma criança autista, conte sua história nos comentários. Sua vivência pode ajudar outras famílias que estão se preparando para embarcar pela primeira vez.
