No momento, você está visualizando 10 Dicas para Viajar de Avião com Criança Autista
A vista pelas nuvens marcou um momento especial da nossa primeira viagem de avião em família.

10 Dicas para Viajar de Avião com Criança Autista

Viajar de avião com criança autista pode parecer assustador para muitas famílias. Inicialmente, você que é mãe atípica, ou tem um familiar,  amigo com alguma condição, sabe que cada pessoa é única. Ninguém é igual a ninguém. Antes de prosseguir na leitura, veja nosso Viajar com Criança Autista: Checklist Completo

Dito isso, cada um de nós, pais atípicos, conhece aquilo que funciona para o filho, sua rotina e as situações que podem causar desregulação. Mesmo assim, surgem imprevistos, inclusive quando planejamos cada detalhe da viagem.

O Lucas é nível 1 de suporte. Por isso, muitas das situações que vou relatar fizeram sentido para a nossa realidade e podem ajudar outras famílias. No entanto, cada criança é diferente. Dependendo da idade, das necessidades de suporte e das características individuais, algumas dicas podem funcionar melhor do que outras.

No ano passado, foi a primeira vez que nossa família viajou de avião. Foi uma mistura de alegria, ansiedade e expectativa. Nossa primeira experiência foi em um voo entre Curitiba e Porto Alegre. Embora o trajeto seja relativamente curto, aprendemos várias lições importantes que podem ajudar outros pais a evitar alguns dos erros que cometemos.

Aqui compartilho o que funcionou e o que não funcionou, sempre baseado na nossa experiência e na individualidade do nosso filho.

👉Neste artigo você conhecerá todos os direitos da pessoa autista durante uma viagem aérea, quais leis garantem esses benefícios e como solicitá-los corretamente antes do embarque.

1-Pesquise tudo sobre o voo antes da viagem

Esta dica está em primeiro lugar porque foi justamente o nosso maior erro.

Antes da viagem, pesquise sobre o tempo de voo, acessibilidade do aeroporto, espaço das poltronas, possibilidade de reclinação dos assentos e, principalmente, sobre o nível de ruído dentro da aeronave, no nosso caso viajamos pela Latam.

Além disso, se for a primeira experiência da criança, considere começar com voos mais curtos para observar como ela reage.

No nosso caso, não levamos abafador de ruído nem tampões de ouvido. E, gente, isso fez uma diferença absurda. O barulho do motor do avião tornou a experiência extremamente desconfortável para o Lucas.

Se você também viaja ou passeia com uma criança sensível ao sons, vale a pena conhecer um modelo como este, bem discreto ( agora que o Luca esta maior, ele não quer os abafadores maiores):

Foto de um homem com protetor auricular da amazon
Foto Amazon

Confira o preço e as opções disponíveis na Amazon: Protetor Auricular

Por outro lado, o espaço da poltrona não foi um problema porque a viagem era curta. Entretanto, o ruído constante do motor foi muito mais impactante do que imaginávamos.

 A Latam também tem uma cartilha com Guia de ajuda para viagem  e dicas para  pessoas com TEA (não sei se já havia sido publicado  no ano passado, mas olhando hoje no site, esta disponível) . Eu amei, acho válido dar uma lida antes de viajar.

2. Explique a viagem antecipadamente, mas sem exageros

Muitas famílias utilizam histórias sociais, vídeos e explicações para preparar a criança. E isso realmente ajuda.

Porém, aprendemos que existe um equilíbrio.

Desde pequeno, eu costumava contar para o Lucas sobre aniversários, passeios e compromissos apenas no próprio dia. Fazia isso porque, quando algum plano era cancelado por chuva ou imprevistos, ele ficava muito frustrado.

Dessa vez, achei que ele já estava maior e contei sobre a viagem com um mês de antecedência.

Gente do céu… foi uma loucura.

Todos os dias ele perguntava sobre a viagem. Além disso, pesquisava sobre aviões, acidentes e estatísticas. Consequentemente, a ansiedade só aumentava.

Na noite anterior ao embarque, ele praticamente não dormiu.

Hoje, eu provavelmente falaria mais perto da data ou apresentaria a viagem como algo planejado, mas sujeito a mudanças. Dessa forma, caso acontecesse algum imprevisto, o impacto emocional seria menor.

3. Cuide da rotina e do sono no dia anterior

Na noite anterior ao voo, evite excesso de doces, refrigerantes e alimentos que possam deixar a criança mais agitada.

Além disso, atividades ao ar livre, esportes e brincadeiras costumam ajudar a gastar energia e favorecer uma boa noite de sono.

No nosso caso, infelizmente a ansiedade venceu. O Lucas praticamente não dormiu.

Como moramos a cerca de quatro horas do aeroporto, ainda tivemos que sair de madrugada. Como resultado, ele já iniciou a viagem bastante cansado.

4. Não escolha voos muito cedo sem fazer as contas

Este foi outro erro que cometemos.

Quando comprei as passagens, vi que o voo seria ao meio-dia e pensei: “Temos tempo de sobra.”

Porém, depois comecei a pesquisar melhor e percebi que o horário do voo não é o horário de chegada ao aeroporto.

Como precisaríamos despachar malas, deveríamos chegar com bastante antecedência, para voos nacionais a recomendação é 2 horas e viagem internacional de 3 a 4 horas levando em consideração se é alta temporada ou não. Além disso, o embarque normalmente começa cerca de 40 minutos antes do horário escrito do voo.

Resumindo: acordamos às quatro da manhã e saímos às cinco ( moramos aproximadamente 4 horas de distância do aeroporto)

O Lucas não dormiu durante o trajeto até o aeroporto. Consequentemente, chegou ainda mais cansado e ansioso.

Por isso, sempre calcule o tempo de deslocamento, o trânsito e a antecedência recomendada pela companhia aérea.

5. Evite alimentos pesados no dia do voo

Na correria da viagem, acabamos esquecendo de levar alguns lanches que o Lucas costuma consumir.

Como resultado, ele comeu uma coxinha antes do embarque.

Felizmente, isso não causou enjoo naquele momento. Porém, hoje eu evitaria alimentos gordurosos e fast food antes de voar.

Sempre que possível, leve lanches que a criança já conhece e costuma aceitar bem. Isso reduz desconfortos e traz mais previsibilidade.

6. Converse com o médico sobre enjoo

Esse é um assunto que sempre deve ser discutido com o pediatra da criança.

O Lucas sempre enjoou com facilidade em viagens de carro. Por isso, o médico já havia orientado o uso de medicamento para enjoo quando necessário.

Levamos o remédio, mas aconteceu um detalhe: como ele sabia que poderia dar sono, simplesmente não quis tomar.

E quem é mãe de criança autista sabe que existem momentos em que insistir apenas aumenta a resistência.

Hoje, eu teria explicado com mais calma pela manhã os motivos para tomar o medicamento, quais sintomas ele poderia evitar e como isso ajudaria durante a viagem.

Acredito que essa abordagem teria facilitado muito mais a aceitação.

7. Nunca esqueça o abafador de ruído

Se eu pudesse dar apenas uma dica, seria esta.

Nunca esqueça o abafador de ruído.

Como também era nossa primeira viagem de avião, eu não fazia ideia de quanto o barulho do motor poderia incomodar.

Quando entramos na aeronave e o motor começou a funcionar, o Lucas imediatamente pediu um abafador.

Naquele momento, percebi o tamanho do problema.

Procurei ajuda com a comissária, perguntei ao Rafa se havia algum fone na mochila e tentei improvisar soluções. Nada funcionou.

Então comecei a orientá-lo a respirar devagar e segurar minha mão.

Mãe segurando a mão do filho durante voo ao viajar de avião com criança autista
Durante a decolagem, segurar a mão do Lucas ajudou a trazer mais segurança e conforto em nossa primeira viagem de avião.

A mão dele suava muito. Ele estava claramente desconfortável.

Quando o avião decolou, a situação piorou. O Lucas sentia muita dor nos ouvidos, suava bastante e demonstrava incômodo o tempo todo.

Durante aproximadamente 50 minutos, entre decolagem e pouso, ele sofreu bastante.

Confesso que, naquele momento, fiquei arrependida da viagem.

Por isso, reforço: não esqueçam o abafador de ruído.

8. Escolha roupas leves e confortáveis

Pode parecer um detalhe, mas não é.

Roupas apertadas, tecidos que incomodam, etiquetas e sapatos novos podem transformar uma experiência já estressante em algo ainda mais difícil.

Por isso, escolha roupas leves, confortáveis e que a criança já esteja acostumada a usar.

Na viagem de volta fizemos isso, e a diferença foi enorme.

9. Leve objetos de apego e lanches conhecidos

Objetos de conforto fazem toda a diferença.

No voo de ida, o Lucas não teve problemas com os cookies e bebidas servidos pela companhia aérea.

Porém, em viagens mais longas, principalmente para crianças com seletividade alimentar, recomendo levar um kit com alimentos já conhecidos.

Além disso, brinquedos sensoriais, objetos de apego, jogos ou filmes podem ajudar bastante.

Na volta, o Lucas levou um brinquedo de apertar que ajudou muito durante o trajeto.

10. Avise a tripulação sobre o autismo

Nós não fizemos isso.

Entretanto, olhando para trás, acredito que teria sido uma boa ideia.

Uma conversa rápida com os comissários poderia ter ajudado a explicar a situação e até mesmo gerar orientações úteis.

Além disso, muitas vezes as pessoas ao redor demonstram mais compreensão quando entendem o que está acontecendo.

Como foi a viagem de volta?

Na volta, já estávamos mais preparados.

O Lucas havia dormido melhor, usamos roupas confortáveis e ele tomou o medicamento para enjoo.

Além disso, conseguimos improvisar uma proteção auditiva melhor.

O resultado foi uma viagem muito mais tranquila.

Ainda acredito que um abafador adequado teria ajudado ainda mais, mas a diferença entre a ida e a volta foi enorme.

Conclusão: não deixe o autismo impedir sua família de viajar

Se existe uma lição que aprendemos nessa experiência é que a maioria dos problemas não aconteceu por causa do autismo.

Na verdade, muitos dos desconfortos surgiram por falta de experiência, pesquisa e preparação da nossa parte.

Viajar de avião com criança autista exige planejamento, mas é totalmente possível.

Hoje sabemos que um simples abafador de ruído teria evitado boa parte do sofrimento do Lucas durante o primeiro voo.

Por isso, se sua família está planejando uma viagem, pesquise, prepare a criança dentro da realidade dela e ajuste as expectativas.

Nem tudo sairá perfeito. Entretanto, cada experiência ensina algo novo.

E, acima de tudo, não deixe o medo impedir sua família de criar memórias incríveis juntas.

Saiba mais:

Gramado com criança autista

Deixe um comentário